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Em
2005 a carga tributária atingiu quase 38% do PIB –
Produto Interno Bruto, conjunto da riqueza produzida pelo país.
Neste ano, aproxima-se dos 40% - o maior pico da história,
incluindo o aumento de impostos nas três esferas de governo:
União, estados e municípios.
Em
1993, esse percentual era de 25%. Para os analistas econômicos
e políticos, sua elevação contínua e
desenfreada nos últimos anos reflete a falta de austeridade
e o descumprimento dos compromissos com reformas de modernização
do estado brasileiro, diante da necessidade de controlar a inflação
e expandir os gastos sociais.
Um
dos principais problemas no sistema tributário que requer
reforma é a quantidade exagerada de tributos indiretos incidentes
sobre a produção e o consumo. O resultado é
conhecido: aumento da informalidade, sonegação e evasão
fiscal. Especialistas preconizam a necessidade de tributar mais
a renda e o patrimônio, a exemplo do que ocorre nos países
desenvolvidos. “A saída seria tomar por base a movimentação
financeira para unificar os tributos declaratórios em uma
base não-declaratória, insonegável, ampla,
universal e de baixo custo. A queda dos tributos sobre salários
e as margens das empresas estimularia a atividade produtiva”,
defende Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque, professor e vice-presidente
da FGV – Fundação Getúlio Vargas.
Cresce
também a percepção de que o país precisa
de um “choque de gestão” que reduza o desperdício
de recursos, notadamente no setor público, com menores encargos
financeiros e maior controle dos gastos correntes. “Isso permitiria
redução do risco e mais espaço para desonerar
os investimentos produtivos”, afirma o doutor em economia
Gesner Oliveira. Para ele, o Brasil precisa de choques de produtividade
com salto educacional, que deve repercutir no setor produtivo mediante
estímulo sistemático à inovação
e ao empreendedorismo. Este, por sua vez, só pode deslanchar
mediante um choque de desburocratização e desoneração
da produção e do investimento, paralelamente ao acesso
a mercados externos.
Também
está na pauta da reforma do setor público a redução
drástica da quantidade alarmante de cargos de confiança,
que cresceu substancialmente nos últimos anos. Em contrapartida,
faz-se necessária a valorização das chamadas
carreiras de estado, que devem ter salários dentro dos parâmetros
do mercado para preservar as competências. Já as carreiras
não-especializadas devem caminhar para a terceirização,
com a devida supervisão. É preciso avançar
no desenvolvimento das carreiras horizontais, com especialistas
que podem atuar em vários órgãos do governo,
como é o caso dos gerentes de projeto.
Para
o jornalista Luís Nassif, “em graus diferentes, a desorganização
gerencial espalha-se por toda a máquina pública federal,
estadual e municipal. Não há o básico: indicadores
de desempenho. Depois, o passo acima do básico: sistemas
de avaliação que permitam ponderar cada indicador
e conferir uma nota única a cada gestão”. Ele
defende que o desenvolvimento dos indicadores e metodologias de
avaliação é ponto de partida para qualquer
análise qualitativa sobre custo-benefício dos gastos
orçamentários públicos. |
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