A
combinação de empresas que estreitam seu foco de
atenção concentrando-se sobre suas competências
básicas com a necessidade de oferecer uma gama maior de
produtos e serviços aos consumidores gera um novo fenômeno:
a empresa virtual. Ela terceiriza processos físicos e atributos
administrativos tradicionais, ao mesmo tempo em que expande atividades
intelectuais – como a solução de problemas
com processos comerciais padronizados, como o marketing - concentrando
esforços na diferenciação de seus produtos
no mercado e agregação de valor para o consumidor.
A
empresa virtual pode ser caracterizada como coligação
de empresas independentes com o objetivo comum de satisfazer uma
determinada necessidade do mercado. Sua realidade é multidimensional.
Sua definição inclui um conjunto de idéias
que compreende competências não básicas terceirizadas,
atenção centrada em um ramo ou ponto forte básico,
pouca ou nenhuma infra-estrutura física, rede de alianças
comerciais, valorização do capital intelectual e
uso intensivo de tecnologia da informação. Os avanços
tecnológicos viabilizam esse novo conceito de organização
administrativa, por meio do fluxo ágil e seguro de informações
e do processamento de transações interempresas e
entre empresas e clientes.
A
empresa virtual funciona como um laboratório em que a fabricação
em si é menos importante do que o desenvolvimento de tecnologias
de ponta e marketing. Produzir, embalar e distribuir produtos
são responsabilidades repassadas a terceiros. Seu perfil
enfatiza alianças, identidade de marca, base de conhecimentos,
estratégia de marketing, pesquisa e desenvolvimento. São
elementos menos importantes: recursos humanos, inventário,
manufatura, materiais, escritórios e lojas.
Nas
empresas virtuais, a transformação é a norma;
a estabilidade, a aberração.
É
preciso estar apta a lançar produtos melhores e novos na
rede de valor. Para se manterem dentro da cadeia de fornecimento,
os participantes precisam aperfeiçoar constantemente o
que têm a oferecer. Isso gera um potencial criativo e transformador
contínuo no interior das organizações e possibilita
que novos concorrentes tomem o lugar dos menos eficientes.
A
inovação de produtos, serviços, canais e
comunicações acontece em decorrência do que
a organização aprende. Um fator diferenciador é
sua capacidade de obter e gerenciar conhecimentos sobre seus clientes,
concorrentes, produtos, canais, serviços, parceiros e processos.
Importante fator de sucesso de uma empresa virtual é a
extensa capacidade de interoperação de aplicativos
entre as partes que a compõem. Elas devem agrupar os processos
empresariais não diferenciadores, empregando soluções
prontas, pois não precisam competir neles. Também
devem estabelecer padrões para o significado, formato e
apresentação das informações, os quais,
no entanto, são movidos pelas forças do mercado.
As redes devem ser de alta velocidade e confiáveis. A computação
e a segurança devem ser cooperativas.
Alguns
indicadores já mostram a força dessa tendência
em franca expansão entre as empresas de alta tecnologia,
como a presença no país de grandes corporações
mundiais especializadas em vender esse tipo de serviço
às indústrias “sem fábrica”.
Elas elevam suas receitas em silêncio e no anonimato, pois
os produtos levam sempre as marcas das companhias que as contratam.