Há
cerca de 340 milhões de pessoas deprimidas no mundo –
cerca de 5% da população – na proporção
de duas mulheres para cada homem. Devido ao estigma que ainda
cerca a doença, uma minoria ínfima recebe tratamento
adequado. Altamente destrutiva, a depressão limita a vida
profissional, pessoal e social de suas vítimas. Aumenta
o risco de infarto, câncer, demência e problemas cardíacos
na terceira idade, além de comprometer a capacidade do
organismo de combater infecções.
A
origem da doença está associada a um desequilíbrio
nos neurotransmissores que levam informações às
células nervosas: noradrenalina, serotonina e dopamina.
Uma combinação de fatores configura a doença:
tendência hereditária, oscilações hormonais,
fatores psicológicos, traumas e perdas. Outros fatores
podem concorrer para a doença, como distúrbios da
tireóide, tumores cerebrais, infarto, derrame, diabetes,
câncer, abuso do álcool e de remédios que
desordenam os neurotransmissores (como as pílulas de emagrecimento).
Os
principais fatores de risco para a depressão são
a solidão e a incapacidade física. A tríade
sintomática compõe-se de sofrimento moral, inibição
global e estreitamento vivencial. Há alterações
no apetite (ganho ou perda de peso) e no sono (sonolência
ou insônia), além de fadiga constante e dores crônicas.
A pessoa deprimida é tomada pelo desânimo, tristeza
profunda, redução da energia, desinteresse por atividades
prazerosas, dificuldades de raciocínio e concentração,
diminuição da auto-estima, sensação
de ruína e/ou culpa. Nos casos mais graves, tem idéia
fixa de morte e suicídio. Ela exclui os acontecimentos
positivos de sua vida e seleciona os negativos.
Condições
sociais e psíquicas da mulher podem contribuir para a depressão
pós-parto, um transtorno de humor que ocorre no
puerpério, atingindo cerca de 0,2% das mães. Já
em jovens, a depressão acontece em razão da liberdade
desassistida, podendo levar a comportamentos de risco.
Cerca de 1% da população é maníaco-depressiva,
a condição mais grave, em que ocorrem episódios
de euforia e depressão. Os bipolares apresentam
episódios curtos de melancolia. Os ciclotímicos
têm humor instável. E os hipertímicos
são pessoas muito bem-sucedidas, cheias de energia, que
têm dificuldade de se manter o tempo todo nesse estado de
excitação e excessiva autoconfiança.
A
depressão também pode ocorrer simultaneamente à
ansiedade, caracterizando-se pelo comportamento inquieto, agitado,
com crises repentinas de mal-estar e sintomas de taquicardia,
náuseas e tremores, podendo estar associada a fobias, fobia
social, síndrome do pânico e transtorno obsessivo-compulsivo.
Tratamento
Os
tratamentos são eficientes e seguros. A associação
de medicamentos antidepressivos com terapia comportamental-cognitiva
apresenta bons resultados. De diferentes "famílias"
– lítio, tricíclicos, fluoxetina, sertralina,
reboxetina, venlafaxina e duloxetina – os remédios
devem ser receitados por um médico-psiquiatra conforme
o grau e o quadro do paciente. O tratamento para ansiedade pode
combinar antidepressivos com ansiolíticos, sempre com prescrição
médica, tendo a terapia cognitiva comportamental como coadjuvante.
Entre
as terapêuticas alternativas estão a acupuntura,
massoterapia, suplementos de ácido graxo ômega 3,
banhos de sol, fitoterápicos e ginkgo biloba. A falta de
sol pode ocasionar depressão sazonal em quem reside em
locais muito frios. A exposição à luz solar
ajuda a regular o relógio biológico interno. A prática
regular de exercícios físicos é indicada
por aumentar a produção de endorfinas, antidepressivos
naturais do organismo, aliviando dores e conferindo mais bem-estar
ao paciente.
Previna-se:
Identifique as fontes de estresse e procure aliviá-lo,
com um hobby, relaxamento, ioga, meditação;
procure um psicoterapeuta para superar mágoas, timidez,
traumas e perdas;
pratique exercícios físicos ou caminhadas no mínimo
três vezes por semana;
cultive amizades e tenha uma vida social ativa;
mantenha-se ocupado com um trabalho produtivo;
não deixe que faltem os carboidratos na alimentação.
O
mal do mau-humor
O
humor é o estado de ânimo e disposição
de encarar a vida. A incidência da depressão é
maior em quem vive mal-humorado, isolado e desanimado. Essas pessoas
tendem a encarar o mundo como ambiente hostil, evitando relacionar-se
com colegas de trabalho, enxergando problemas e reclamando de
tudo. A predisposição para sentir o mundo como ameaça,
com pouca flexibilidade e baixa tolerância no trato com
pessoas, é chamada afetividade negativa.
O
pessimismo defensivo é uma estratégia do psiquismo
das pessoas aflitas para gerenciar sua ansiedade. Em geral esses
profissionais são muito tensos – mesmo quando em
descanso – o que provoca dores e reduz a produtividade.
A vida do mal-humorado crônico é marcada pela apatia.
Ele não consegue se divertir. Geralmente é metódico,
cumpre tarefas, mas não se destaca pela criatividade.
Para
o distímico, o lazer pode virar uma experiência traumática.
Seu comportamento é visto pelos outros como traço
de personalidade ou defeito de caráter, quando na verdade
trata-se de uma doença. Há o tipo irritadiço,
que briga à toa, está sempre bravo e rompendo relações.
O obsessivo trabalha tanto quanto um workaholic,
mas produz pouco e não sente prazer no trabalho. O aristocrata
vive mais isolado do convívio social, sem ilusões
e fantasias.
Mantendo
o bom-humor no trabalho:
Evite excesso de barulho, movimentos repetitivos e má postura
no ambiente profissional – sempre que possível, descanse
os membros, a voz, a visão e a audição;
adote a dieta do bom-humor, ingerindo chocolate, alface, banana
madura, massas, peixes, espinafre, brócolis e outras verduras
verde-escuras;
pratique esportes com orientação médica;
torne-se voluntário em alguma atividade com a qual tenha
afinidade e para a qual tenha habilidade.
Para
saber mais: www.psiqweb.med.br/deptexto.html
“Sete
passos para curar”
David Servan-Schreiber
Sá Editora
Fontes
de consulta: materiais informativos da Sociedade Brasileira de
Neuropsiquiatria
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