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A revolução tecnológica tornou as comunicações cada vez mais fáceis e acessíveis, permitindo que grandes empresas espalhassem suas operações por todo o planeta. Contudo, estudiosos dos mercados internacionais alertam: a globalização pode estar entrando em colapso.
Em artigo publicado na revista Foreign Affairs, o professor associado da Escola de Administração de Empresas da Universidade de Harvard, Rawi Abdelal, e o pesquisador sênior Adam Segal apontam as fragilidades da globalização, que tornam cada vez mais difícil o processo de liberalização de mercado em todo o mundo. Eles sugerem que as políticas econômicas internas garantam a competitividade e a melhor distribuição dos benefícios. Para os autores, a revolução da alta tecnologia deve continuar, porém a globalização não pode mais ser encarada como um processo inexorável.
Apesar dos benefícios irreversíveis proporcionados pelas inovações tecnológicas e pela aceleração dos negócios, vários fatores fundamentam essa preocupação, tais como:
O déficit norte-americano em conta-corrente disparou e o valor do dólar despencou nos últimos anos.
Cresce a percepção da distribuição desigual dos benefícios da globalização.
As restrições aos capitais cresceram em todo o mundo, com a imposição de regras protecionistas em contraposição aos mercados abertos e às políticas liberalizantes.
Os países ricos não conseguem solucionar a contento a absorção de novos imigrantes decorrente da livre movimentação da força de trabalho.

A harmonização das diferenças entre os modos norte-americano e europeu na condução do processo globalizante é considerada estratégica. Enquanto os EUA se valem do seu poderio preponderante para fechar acordos bilaterais, a Europa estimula organizações como a União Européia e a Organização Mundial do Comércio. As crises nas negociações de comércio internacional colocam em destaque tais divergências, notadamente as que separam os países ricos e desenvolvidos dos pobres e em desenvolvimento.
“Estará a fase de bonança chegando ao fim? Estamos realmente iniciando um novo ciclo de ajustes?”, questiona o economista Roberto Teixeira da Costa, sócio-fundador da Prospectiva Consultoria Brasileira de Assuntos Internacionais. Para ele, a volatilidade será a característica principal dos mercados: “O mundo globalizado, com ampla circulação de capitais, se não é uma nova realidade, vem acontecendo em uma escala nunca antes verificada”, afirma em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo. Para ele, é bastante improvável que os índices de mercado voltem ao patamar anterior a 27 de fevereiro, quando ocorrei a abrupta queda de 9% na Bolsa de Xangai.
O ex-diretor do Banco Central brasileiro Luiz Fernando Figueiredo, economista, acredita que não há qualquer mudança relevante na economia mundial que aponte para uma crise: “Houve um processo normal depois de muito tempo de crescimento e exuberância da economia mundial”.

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 Revista Digital Ágora Administração - Ano I - Número 02 - Jan-Fev-Mar/07
Tendência