As
inovações que antes germinavam em laboratórios
de P&D de grandes corporações agora brotam da
Internet. A grande teia planetária oferece desde aplicativos
gratuitos para armazenar dados e trabalhar em rede até
a possibilidade de criar e desenvolver produtos e serviços
on-line.
Programas
baseados na Internet são mais versáteis, já
que não têm dificuldades de compatibilidade. Um documento
criado em Windows pode ser apresentado em Mac OS, por exemplo.
Os dados ficam armazenados nos servidores das empresas fornecedoras
das aplicações e podem ser acessados de qualquer
computador conectado, mediante senha. Em geral, basta preencher
um cadastro e criar uma conta para usufruir desses benefícios,
ideais para quem viaja com freqüência, apresenta trabalhos
em público e/ou costuma compartilhar sua máquina.
Uma vantagem é a preservação dos dados se
o computador pessoal apresentar algum problema técnico
ou for extraviado. Por outro lado, os documentos podem se tornar
mais vulneráveis a ataques virtuais, dos quais os computadores
pessoais também não estão isentos. A dependência
de conexão à Internet é outra desvantagem:
em caso de problemas de conectividade, o uso de um documento ou
a apresentação de um trabalho on-line ficam comprometidos.
É preciso ficar atento ao limite de armazenamento.
O
trabalho on-line também facilita as chamadas criações
em grupo. A criação coletiva via Internet começa
a ser usada por companhias para conceber e desenvolver novos produtos
e inovar, revolucionando a maneira como as organização
produzem. Muitas empresas perceberam que em outros pontos do mundo
pode haver soluções melhores do que as disponíveis
em suas próprias organizações. A tecnologia
permite contratar essas “consultorias” on-line. O
antigo chão de fábrica virou global: projeta e monta
objetos com mais rapidez e eficiência.
Esse
novo modo de organizar a produção – que vem
contagiando o mundo industrial - deixa para trás as organizações
fechadas, hierarquizadas e que guardam segredos. Os monopólios
de conhecimento da economia industrial estão se desintegrando
rapidamente enquanto os meios de criação se abrem
e se proliferam.
“Solucionadores”
O
crescimento e a inovação dependem cada vez mais
da colaboração em massa proporcionada pela rede
e pelos “wikis” – programas computacionais ou
páginas que permitem interação global. A
economia wiki é caracterizada pela abertura das fronteiras,
transparência e porosidade, produção em pares,
compartilhamento e ação global para empregar os
conhecimentos, recursos e capacidades externas. Para o especialista
Don Tapscott, co-autor de “Wikinomics – Como a Colaboração
em Massa pode Mudar seu Negócio”, o mundo ingressou
numa nova etapa de democratização da informação
e de participação proporcionada pela Internet e
programas abertos à interação. Segundo ele,
está na hora das empresas deixarem de se organizar como
multinacionais e passarem a agir como globais. Elas terão
que mudar o conceito de propriedade intelectual e se tornar transparentes.
Exemplo
disso é o InnoCentive, um site que reúne cientistas
de 175 países, em que as companhias expõem problemas
que suas equipes de P&D (pesquisa e desenvolvimento) não
conseguem solucionar. Elas oferecem recompensas em milhares de
dólares para quem encontrar soluções viáveis.
Além de encurtar tempo com pesquisas e prospecção,
o leque de soluções propostas se torna muito mais
amplo. A Procter & Gamble decidiu desenvolver 50% de seus
novos produtos desse modo até 2010, mesmo contando com
9 mil pesquisadores entre seus colaboradores. Outro exemplo vem
da mineradora canadense Goldcorp, pioneira na prospecção
desse modo de produção colaborativo ao lançar
um concurso global para quem encontrasse novas jazidas de ouro,
pagando US$ 575 mil como prêmio, vendo seu faturamento crescer
de US$ 100 milhões para US$ 9 bilhões. Para tanto,
arriscou revelar ao mundo seu segredo industrial, com informações
geológicas estratégicas.
Consumidor
participativo
As
empresas inteligentes também estão incorporando
seus consumidores ao processo de criação e inovação.
Eles propõem modificações e inovações
nas características originais dos produtos e atuam em grupos
de discussões on-line. Segundo Tapscott, a próxima
geração de produtos e serviços atribuirá
aos consumidores o papel de liderança nesse processo. Desenvolver
e produzir novos bens para o mercado agora significa trabalhar
num vasto ecossistema de parcerias que reúne múltiplas
habilidades e capacidades complementares.
A
BMW, por exemplo, colocou na rede um programa de design para que
os clientes dêem sugestões ao desenvolvimento de
dispositivos telemáticos dos novos modelos, incluindo os
navegadores GPS. A Lego mantém um armazém virtual
de objetos com os quais os consumidores podem projetar, compartilhar
e comprar modelos personalizados. O site Yet2.com apresenta uma
lista avaliada em US$ 10 bilhões de tecnologias desenvolvidas
mas não utilizadas (invenções) e pode ser
vasculhado por empresas interessadas em obter uma licença
de utilização junto aos detentores das patentes.
O jogo Second Life está movimentando milhões de
dólares em negócios com seus avatares e transações
comerciais virtuais. Nele é possível comprar uma
casa, abrir uma empresa, ter um hobby, veicular um anúncio,
enfim, levar uma vida virtual normal, “paralela” à
real.
Circulação
de conteúdos
A
produção cultural também se beneficia da
Internet e a indústria do entretenimento já começa
a se adequar à mídia colaborativa.
Artistas
e usuários que participam de sites e comunidades on-line
contam com tecnologias libertárias e programas de código
livre, além dos sites wiki, para gerar, produzir em comunidade
e distribuir suas criações, tais como músicas,
fotografias, filmes e materiais didáticos. Outro recurso
empregado com intensidade são as tags – etiquetas
digitais de classificação que facilitam as buscas
na Internet.
Tornam-se
cada vez mais comuns os shows, as vernissages, exposições
e lançamentos de livros on-line, com os respectivos autores
participando de chats com seus públicos virtuais. Os autores
decidem se liberam os conteúdos com ou sem custo, permitindo
que outras pessoas façam uso comercial das imagens ou mesmo
editem e recriem novas obras com base nas originais.
Saiba
mais: |
 |
Wikinomics
– Como a Colaboração em Massa pode Mudar
seu Negócio
Don Tapscott e Anthony D. Williams -
Nova Fronteira
Os autores são diretores da empresa de consultoria
e inovação New Paradigm, no Canadá |
Indique
esta Matéria | Comente
esta Matéria