Administradores
devem estar preparados para a gestão sustentável,
que exige a sua participação consciente de sua responsabilidade
profissional e social. Os modelos de gestão contemporâneos
devem levar em conta necessariamente o atendimento às necessidades
básicas dos seres humanos, a manutenção do
equilíbrio dos ecossistemas, a prevenção
da degradação ambiental, o fim dos desperdícios
e a eliminação da injustiça social. Desde
a criação do ISE - Índice de Sustentabilidade
das Empresas em 2005 - que reúne na Bovespa as firmas com
práticas sustentáveis -, o mercado de trabalho procura
gestores e auditores da sustentabilidade.
O
descaso com o meio ambiente acaba por se traduzir em significativas
perdas e prejuízos generalizados. Problemas ambientais
e sociais podem afetar seriamente o desempenho financeiro. A inovação
sustentável combina a geração de riqueza
com preservação ambiental. A ecoeficiência
consiste em manter os níveis de produção
utilizando menos recursos, fazendo menos emissões e com
menos desperdício. Uma empresa ecoeficiente utiliza matéria-prima
alternativa e tecnologias mais eficientes e limpas, bem como se
empenha em envolver e comprometer as pessoas com novos hábitos.
As
organizações assumem a responsabilidade pela eliminação
dos desperdícios, redução da geração
de resíduos e sua adequada destinação no
contexto do processo produtivo e distributivo. Passam a merecer
atenção especial os impactos das atividades de extração,
utilização e transformação de recursos,
fabricação e consumo. É preciso aprender
a REDUZIR, REUTILIZAR e RECICLAR. Segundo o conceito de produção
mais limpa, uma estratégia ambiental de prevenção
da geração excessiva de resíduos com foco
nos produtos e processos otimiza o emprego de matéria-prima.
As
três dimensões da sustentabilidade - social, econômica
e ambiental – são consideradas no conceito de triple
bottom line, ou seja, uma base de medidas e sistemas de gerenciamento
integrados com foco no valor econômico, social e ambiental
adicionado ou subtraído. Na empresa que se organiza para
adotar práticas sustentáveis, não pode faltar
a prestação de contas (accountability).
A sustentabilidade constitui uma oportunidade para negócios
e de incremento das economias locais, gerando prosperidade. Entre
os ganhos estão a melhora da reputação e
o fortalecimento da marca, a redução de custos,
o aumento das receitas e da produtividade, com agregação
de valor aos produtos e serviços. O clima organizacional
se beneficia a partir do envolvimento das pessoas que se sentem
parte integrante de uma equipe e responsáveis não
só pelos resultados, mas também pela redução
dos impactos ambientais.
Empresas
que investem em certificações ambientais passam
por uma profunda revisão de seus procedimentos, com resultados
na gestão, redução de custos e incremento
da produtividade. A sustentabilidade contribui para a criação
de modelos alternativos de produção e de negócios.
Facilita o acesso ao capital para empresas que desejam crescer,
considerando as políticas de preferências adotadas
por instituições financiadoras e investidores.
Um
relatório que demonstre os esforços em prol da sustentabilidade
é valorizado por organizações internacionais,
como a Global Reporting Initiative (GRI). No entanto, riscos e
oportunidades da sustentabilidade só podem ser geridos
quanto mais a empresa integrá-los em sua estratégia,
desenvolvendo métodos para avaliar o retorno financeiro
e o impacto em seus negócios. A ação dos
consumidores por meio de um comportamento de consumo consciente
é fundamental para impulsionar a sustentabilidade, pois
eles detêm o poder da decisão de compra.
Ser
sustentável é uma postura ética. É
incluir, cooperar, comungar e mudar sem destruir. O futuro será
grato.
Sérgio
Pereira Lobo
Presidente CRA-PR
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