O
acirramento da competitividade no mercado produziu profissionais
viciados em trabalho. Conhecido como workaholic - viciado
em trabalho - este tipo não se encontra com amigos, deixa
de praticar exercícios físicos, permanece no local
de trabalho por tempo indeterminado, leva trabalho para casa com
freqüência, evita tirar férias, faz as refeições
diante do computador, descuida da saúde, das relações
afetivas e dos projetos pessoais, sob pretexto de lutar aguerridamente
para manter seu emprego. A sobrecarga de trabalho além
dos limites normais de dedicação profissional e
do ritmo de trabalho saudável pode tornar-se tão
danosa quanto uma dependência, compulsão ou fanatismo.
É caminho certo para a Síndrome do Burn-out,
quando o estresse chega ao ponto máximo e vira patologia.
O
perfil da personalidade do workaholic costuma apresentar
uma combinação de alguns dos seguintes fatores:
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perfeccionismo; |
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obsessão; |
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culpa; |
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exagero
na responsabilidade; |
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sentimento
de satisfação unicamente vinculado ao trabalho; |
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dificuldade
de lidar com o lado afetivo e emocional; |
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excesso
de racionalidade, crítica e auto-exigência; |
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irritabilidade
diante de falhas próprias e alheias; |
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centralização
e dificuldade para delegar tarefas. |
O
coração do workaholic é a grande
vítima, pois o excesso de noradrenalina gerado pelas tensões
sobrecarrega o músculo cardíaco. Sob estresse, o
cérebro produz menos serotonina - substância responsável
pelo relaxamento e bem-estar - causando irritabilidade crônica.
As glândulas supra-renais fabricam excesso de cortisol,
tornando a pessoa mais vulnerável a infecções
e alterações no desejo sexual. A memória
começa a falhar. Alguns hábitos podem ajudar a vencer
a compulsão por trabalho, como exercícios respiratórios,
alongamentos musculares, visualização e meditação.
De qualquer forma, somente o reconhecimento do problema e a disposição
para mudar podem "curar" o sujeito compulsivo por trabalho.
"A pessoa workaholic é portadora de uma patologia
específica, um distúrbio psíquico, seja ele
originado dentro do próprio espaço de trabalho ou
não", assinala Maurício Serva, presidente do
Ciriec - Centro Internacional de Pesquisa e Informações
sobre a Economia Pública, Social e Cooperativa e um dos
autores da pesquisa "O Fenômeno Workaholic na Gestão
de Empresas".
Para
o psicólogo Wanderley Codo, coordenador do Laboratório
de Psicologia do Trabalho da Universidade de Brasília (UnB),
o workaholic trabalha em demasia porque não se
permite viver, até mesmo para usufruir das conquistas propiciadas
pelo trabalho. No lado oposto está outro tipo de profissional
que trabalha além da conta, mas por outras razões:
é o worklover - apaixonado por trabalho. Esse
profissional gosta muito do seu trabalho, inclusive daqueles aspectos
considerados enfadonhos e entediantes. "O vínculo
do worklover com o trabalho é de outra natureza",
explica o pesquisador, "pois ele não usa o trabalho
como meio para fugir da vida". O apaixonado por trabalho
costuma ter uma vida pessoal satisfatória e encarar o trabalho
como parte da aventura de viver. Entretanto, o fato de ser altamente
dedicado ao trabalho não impede que seja indisciplinado
com relação ao mesmo. A maioria dos worklovers
é de profissionais com mais autonomia em suas atividades
e busca atuar em organizações ou parcerias profissionais
alinhadas com seus valores pessoais.
Na
psicologia o trabalho é o conceito dado a uma dupla relação
de transformação entre o homem e a natureza geradora
de significado. O trabalho pode causar sofrimento, caso o circuito
de geração de significado seja quebrado. Embora
ambos os tipos - workaholic e worklover - trabalhem
demais e se envolvam exageradamente no que fazem, sendo esforçados
e produtivos, ao serem analisadas suas diferenças vêm
à tona no tênue limite entre o prazer e a obsessão.
A conclusão do estudo é que a dedicação
extremada ao trabalho não é patológica quando
existe prazer no que se faz.
Saiba
mais: |
 |
MULLER,
Mariana Morosini. "Worklover: realidade ou mito?"
Programa de Pós-graduação em Administração
da UFRGS - 2007 |
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