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O mundo começa a conhecer uma nova era nas relações produtivas. Cada vez mais, a era do emprego cede espaço para a era do empreendedorismo. Impõe-se a consciência de que o profissional pode e precisa saber auto-remunerar-se por meio de parte dos resultados que produz. A nova economia precisa menos de assalariados e patrões, mais de empreendedores que saibam tornar produtiva sua capacidade de fazer acontecer. Profissionais que pensem estrategicamente, saibam trabalhar em equipes, sejam capazes de visualizar o futuro, ouçam, leiam, escrevam, se comuniquem, eduquem, criem e inovem. Enfim, um empresário do seu próprio destino. Esta é a visão do presidente do Conselho de Administração da Odebrecht S.A., Emílio Odebrecht. Para ele, a educação é, essencialmente, um processo de comunicação visando uma influência construtiva sobre o outro.
Nessa linha de raciocínio, a escola - desde o ensino médio até o universitário - deve atuar como agente de emancipação pessoal, estimulando a autonomia produtiva, alterando o padrão de dependência do trabalhador perante o mercado e oferecendo aos educandos uma base que lhes permita transformar cada instante da vida em uma oportunidade de aprendizado, participação e autodesenvolvimento. A formação exclusivamente voltada à obtenção e à manutenção de um emprego, segundo ele, é um anacronismo que persiste na formação universitária, incompatível com as mudanças ocorridas no mundo.
"O profissional do novo século defronta-se com um mundo em rápida mutação, com comunicações quase instantâneas para qualquer parte, mercados globalizados, imensos sistemas de informação, crise de empregos na maioria dos setores tradicionais e necessidade de atualização profissional e cultural constante", analisa o diretor da Lobo & Associados Consultoria e Participações, doutor em física e ex-reitor da USP, Roberto Leal Lobo e Silva Filho. Ele preconiza a implantação de aulas de empreendedorismo no cardápio educacional brasileiro. Relaciona algumas características que não podem ser negligenciadas na formação do profissional:

ser flexível, capaz e disposto para a inovação e ser criativo;
ser capaz de lidar com incertezas e de aprender ao longo da vida;
ter adquirido sensibilidade social e aptidões para a comunicação;
ser capaz de trabalhar em equipe, desejar assumir responsabilidades, tornar-se empreendedor;
preparar-se para o mundo do trabalho internacionalizado por meio do conhecimento de diferentes culturas;
ser versátil em aptidões multidisciplinares com noções de áreas do conhecimento que formam a base de várias habilidades profissionais, como tecnologia e informática.

Semana do Empreendedorismo
Promovida pelo Instituto Empreender Endeavor em conjunto com outras 19 organizações, a quinta edição mundial da Semana Global do Empreendedorismo acontece no Brasil entre 17 e 26 de novembro deste ano, reunindo cerca de um milhão de estudantes e jovens empresários de vários países. O evento é definido como "um movimento crescente de empreendedores que geram idéias e transformam oportunidades em grandes negócios, inspirando jovens de todo o mundo a tirarem suas idéias do papel".

Para o diretor geral da entidade, Paulo Veras, há falta de preparo de empreendedores. Mesmo tendo boas idéias e entusiasmo, faltam organização financeira e disciplina. O capital no Brasil ainda é muito caro. "O país está crescendo muito na área de serviços, um setor que efetivamente precisa de pouco investimento inicial", observa, "com destaque para novas empresas de tecnologia da informação".
O Endeavor tem por objetivo constituir uma massa de empreendedores de alto impacto: gente que pense grande, trabalhe bem, queira chegar longe, empregue muitas pessoas", explica o consultor. Para tanto, a entidade mantém duas frentes de atuação: apoio a potenciais empreendedores por meio de um processo de seleção aberto e disseminação do conhecimento sobre empreendedorismo, tais como montagem de um plano de negócios, levantamento de recursos, exportação, franquias, sustentabilidade e gestão de pessoas. O website divulga artigos, cases, vídeos e uma agenda de eventos de orientação e incentivo a cultura empreendedora a fim de gerar postos de trabalho e renda.

Para quem está propenso a abrir um negócio, o consultor Paulo Veras recomenda:
escolher uma área com a qual tenha afinidade;
avaliar o potencial do negócio e o investimento necessário;
dar preferência a um modelo de negócio que tenha receita corrente e gere afinidade com a clientela;
montar uma equipe muito boa que trabalhe sintonizada em valores.

Saiba mais:
 http://www.tiresuasideiasdopapel.org.br
 http://www.endeavor.org.br

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 Revista Digital Ágora Administração - Ano II - Número 04 - 1º Trimestre de 2008
Ensino