Estudo
divulgado pela Fundação Dom Cabral no IT Fórum
em 2007 analisa a longevidade e a performance de 500 empresas
brasileiras de vários ramos de atividade. O pesquisador
Carlos Arruda, que conduziu o trabalho à frente do Núcleo
de Competitividade da entidade, constatou que apenas 23% das empresas
pesquisadas ao longo de 32 anos - de 1973 a 2005 - conseguiram
manter ou melhorar sua posição no mercado. Dentre
as que fracassaram, a maioria foi tragada por outras organizações
em processos de aquisição (36,5%). As demais faliram
(10,3%), foram privatizadas (9,9%) ou fundidas a outras companhias
(9%). As restantes fecharam por motivos diversos (12,4%).
Analistas
creditam as dificuldades de sobrevivência ao ambiente de
negócios. Fatores como a tendência mundial à
concentração econômica, carga tributária
elevada, juros altos, desvalorização cambial, hiperinflação
e planos econômicos estão entre as adversidades enfrentadas
no período pesquisado. No entanto, o perfil das sobreviventes
tem pouco a ver com o modelo vitorioso nos EUA, Europa e Japão,
tais como valores bem definidos, capacidade de renovação
constante e certo conservadorismo na gestão. A queda de
uma empresa quase sempre está relacionada à incapacidade
de seus dirigentes lidarem com uma crise, muitas vezes negando-a.
De
acordo com as conclusões do estudo, não basta que
a empresa seja estável, rentável e bem administrada:
é preciso que ela cresça continuamente e ocupe novos
espaços no mercado. A necessidade de expansão contínua
deve estar na consciência empresarial. Para tanto, a empresa
deve diversificar sua atuação ou lançar produtos,
ocupando novos nichos mercadológicos e criando diferenciais
perceptíveis para os clientes. Para especialistas, a perspectiva
de crescimento da empresa motiva os profissionais. Outra característica
das longevas é a percepção aguçada
das mudanças nos ambientes externo e interno, preparando
suas equipes. Finalmente, essas organizações dispensam
extremo cuidado aos processos de sucessão, preparando seus
futuros gestores.
A
lição é clara: nenhuma empresa pode se acomodar
no primeiro lugar ou se dar ao luxo de ficar desatenta aos movimentos
do mercado. Marcas consagradas, boas idéias, orçamentos
milionários e clientes fiéis não sustentam
o sucesso eternamente. Concorrentes mais jovens e ousados podem
assumir a liderança. Decisões envolvem riscos -
e a melhor forma de reduzi-los é estar bem informado. Uma
boa alternativa é criar uma área de novos negócios
que busque oportunidades, sem abandonar as atividades que sustentam
a empresa.
Saiba
mais: |
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SOUZA,
César. O Momento da sua Virada. Editora Gente - 2004 |
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