|
|
Uma
pesquisa divulgada em outubro de 2007 pela consultoria Symnetics
em parceria com a H2R, especializada em pesquisas de mercado,
indica que apenas 33% das empresas brasileiras são inovadoras.
Embora sejam as principais interessadas em inovar, paradoxalmente
as empresas criam os maiores entraves à inovação
e à criatividade. Os dados apontam as indústrias
como protagonistas da inovação, com 40% das iniciativas,
seguidas do comércio e prestadores de serviços,
com 30% cada.
O
"guru da inovação" Venkat Ramaswamy, professor
da Michigan University (EUA) e autor de "O futuro da competição",
afirma categoricamente: sem inovar, as empresas tradicionais desaparecerão.
Para ele, as mercadorias estão "commoditizadas"
e a diferenciação depende das experiências
vivenciadas pelos consumidores com os produtos. "A inovação
inicia-se dentro das empresas com a mudança de mentalidade",
observa o especialista, para quem é preciso interagir mais
com os consumidores para descobrir detalhes de como eles se relacionam
com os produtos e serviços e a partir daí definir
as estratégias, num processo novo que ele denomina de "co-criação".
O
sociólogo italiano Domenico de Masi, que formulou a teoria
do ócio criativo, tem se dedicado a discutir com empresários
e executivos de todo o mundo sobre organizações
criativas. Para ele, as empresas em geral têm um apego exagerado
a rotinas e ao pleno controle dos processos, características
antagônicas ao trabalho criativo. "Se realmente deseja
promover a criatividade e a inovação, a organização
precisa criar zonas livres", defende. É o que ele
qualifica como "anarquia organizada". Os especialistas
japoneses em aprendizagem organizacional e inovação
Takeuchi e Nonaka batizaram este ambiente de "caos criativo".
O engenheiro de softwares e cientista da computação
Fred Brooks assinala que a criatividade vem dos indivíduos
e não das estruturas e dos processos.
O
fato é que quanto mais distante a equipe destacada para
o trabalho criativo estiver das normas e procedimentos, melhor.
Para evitar a perda de foco nos resultados, o acompanhamento deve
ser objetivo e o menos intruso possível. Nesse sentido,
Peter Drucker afirma em "O Advento da Nova Organização"
que sejam fixados objetivos simples, nítidos e comuns que
se traduzem em ações específicas.
Gestão
do trabalho criativo
A
marca da gestão da criatividade é a descontração.
A remuneração financeira em forma de premiação
é importante fator de incentivo, mas não é
o único. Reconhecimento, notoriedade e um ambiente estimulante
também são importantes. Processos e estruturas devem
ser desenhados para facilitar a execução e o gerenciamento
do trabalho criativo. Projetos desafiadores - que exigem altas
doses de criatividade - funcionam como 'imãs' para os melhores
profissionais. O entrosamento entre todos os integrantes é
uma característica das equipes criativas. Outro componente
facilitador das equipes criativas são as chamadas Comunidades
de Prática (CP). Elas reúnem pessoas que trocam
experiências, compartilham interesses e conhecimentos por
meio da interatividade, pois buscam informações
o tempo todo.
Para
o psicólogo e consultor empresarial brasileiro Waldez Ludwig,
uma função que assume importância no processo
criativo é a de "desorganizador de processos",
ou seja, alguém dedicado a revolucionar o modo convencional
de fazer as coisas, partindo do princípio de que as idéias
surgem da divergência. Segundo ele, conhecimento, informação,
tempo, idéias e curiosidade são os recursos mais
importantes para liberar a criatividade, favorecida por um ambiente
informal, brincalhão, irreverente e inquieto, em que o
profissional se sinta integrado e participativo, o que compreende
desde salas de descanso até a derrubada dos muros hierárquicos.
"O
indivíduo criativo desafia as respostas prontas, as convenções,
as tradições, a autoridade, a seriedade, a segurança,
o medo do erro e do ridículo", observa Ludwig. Após
a formação da equipe criativa, a organização
deve influir muito pouco em sua estrutura. Trata-se de uma estrutura
orgânica, ágil e flexível, também caracterizada
pelo autogerenciamento e pela "tensão criativa",
esta definida como o choque entre fantasia e concretude.
Desenvolvendo
o poder criativo
Profissionais
de todas as áreas podem desenvolver sua inventividade e
assim valorizar seu passe num mercado em que o poder criativo
está altamente cotado. O primeiro passo é desprezar
as respostas fáceis e convencionais e dispor-se a pensar
diferente. Antes de dizer "não" a uma idéia,
o criativo questiona-se: "Por que não?".
Talento
que pode ser desenvolvido, a criatividade é vizinha da
inteligência e está relacionada à capacidade
de surpreender, de obter algo novo e diferente. O pensamento criativo
pode resultar da leitura de uma realidade sob dois planos distantes
ou mesmo contraditórios.
Para
o psicanalista norte-americano Farrell Silverberg, autor de "Como
quebrar padrões e Rotinas e Mudar de Vida", "os
padrões amarram as pessoas à mesmice". Já
o especialista em criatividade Roger von Oech, autor de "Um
Chute na Rotina", sugere ao leitor encarnar os papéis
de explorador, artista, juiz e guerreiro para desenvolver a criatividade.
O primeiro levanta informações. O segundo usa a
intuição para analisar o conteúdo recolhido.
O terceiro pondera prós e contras, procura falhas, analisa
riscos e prevê conseqüências. O quarto elabora
táticas para prevenir contratempos e neutralizar resistências.
Em seguida, põe a decisão em prática.
Saiba
mais: |
 |
http://finito-log.blogspot.com/2006/07/gerenciando-o-trabalho-criativo.html |
 |
http://www.pensediferente.com.br
|
 |
http://www.predebon.com.br |
 |
DE MASI, Domenico.
Criatividade e Grupos Criativos. Editora Sextante - 2002 |
 |
AMABILE, Teresa
The Social Psychology of Creativity. Springer-Verlag - 1983 |
 |
NONAKA, I.,
Takeuchi, H.
“Theory of Organizational Knowledge Creation”,
Publicado em
Knowledge Management - Classic and Contemporary Works.
MIT Press - 2000 |
 |
BATTELLE,
John.
A Busca. Elsevier Editora - 2006 |
 |
DRUCKER, Peter.
A Administração na Próxima Sociedade.
Editora Nobel - 2002 |
 |
DRUCKER, Peter.
“O Advento da Nova Organização”,
publicado em
Gestão do Conhecimento - Harvard Business Review. Campus
- 2001 |
 |
SILVERBERG,
Farrell.
Como quebrar padrões e Rotinas e Mudar de Vida. Campus
- 2005 |
 |
VON OECH, Roger.
Um Chute na Rotina. Editora Cultura - 1994 |
Indique
esta Matéria | Comente
esta Matéria
|
|