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A Internet continua em expansão. Está em curso a terceira geração, batizada pelo pesquisador inglês Tim Berners-Lee como Web 3.0 - uma rede inteligente, capaz de "pensar" e estruturar todo o conteúdo disponível. O pesquisador Nova Spivack (neto do guru da Administração Peter Drucker) explica que esta evolução representa um grande avanço na maneira como funcionam os programas, embora o processo se dê mais nos bastidores da rede do que no usuário.
A Web 3.0 ou semântica organizará e agrupará os conteúdos por temas, assuntos e interesses específicos expressos pelo internauta. Segundo Spivack, esse salto de sinergia será proporcionado pela adição da capacidade da semântica, com respostas muito mais precisas para o usuário. A convergência de várias tecnologias já existentes - banda larga, acesso móvel e semântica - usadas simultaneamente possibilitará que a Internet passe de uma grande base de documentos para uma imensa base de dados. Novos programas "entenderão" como fazer melhor uso desses dados, com infinitas possibilidades comerciais e comunicacionais, o que representa a grande inovação. A sofisticação dos mecanismos de busca permitirá que a rede "adivinhe" os desejos do usuário.
Berners-Lee defende a "ciência da Web", com perfil interdisciplinar. Esse novo ramo científico compreende o desenvolvimento da semântica da web, que consiste em produzir tecnologias para cruzar informações armazenadas de maneiras distintas na rede com mais facilidade, independentemente do tipo de programa em que elas estejam guardadas. O processo envolve novas engenharias e infra-estruturas de linguagens e protocolos e de compreensão da sociedade que os utiliza.
Rede em evolução
A primeira onda da Internet - Web 1.0 - ocorreu na década de 90 com a implantação e a disseminação da rede. Na seqüência, a Web 2.0 ou participativa - estágio atual - possibilitou o advento da mídia social - em que os usuários criam conteúdos - e o aprimoramento dos mecanismos de busca (como Google e Yahoo!), sites de colaboração (como Wikipedia e You-Tube) e relacionamento (como Orkut e My Space). Novas ferramentas proporcionaram que o usuário criasse, implantasse e compartilhasse conteúdos, como ocorre nos blogs, sem precisar recorrer a técnicos ou intermediários. A segunda onda também permitiu a criação de "escritórios virtuais on-line" - ou seja, a rede passou a ser o próprio ambiente de trabalho para armazenar e compartilhar dados - do Second Life, dos jogos on-line, programas de código aberto e do Creative Commons - o qual desenvolveu a memória coletiva por meio de obras de domínio público - e a mídia social (na qual os usuários criam a maior parte do conteúdo), apoiada em tecnologias como o XML e o AJAX.
Para o filósofo Pierre Lévy, professor da Universidade de Ottawa (Canadá) e teórico da revolução digital, "o fenômeno da inteligência coletiva continua a evoluir: a inteligência individual se prepara para ser potencializada pela inteligência coletiva". O pesquisador coordena um projeto denominado IEML (Information Economy Meta Language) para o desenvolvimento de uma linguagem que venha a expandir a rede, permitindo indexações. A NSF (Fundação Nacional de Ciência) dos EUA procura montar uma rede experimental conhecida como Geni (Ambiente Global para Inovações de Rede), orçada em US$ 350 milhões. Seria uma "recriação" da Internet, partindo de um ponto zero e resolvendo algumas debilidades de segurança, mobilidade e direitos autorais.
Nessa nova Internet, o que importa é a forma como as pessoas se relacionam, bem como o estudo do comportamento e seu meio de vida, observa o pesquisador de tecnologia da informação Jorge Luiz Nunes, autor do portal Linha de Código. Segundo ele, os profissionais estarão cada vez mais informados e detentores de um poder capaz de desestruturar ou impulsionar completamente uma organização. O movimento da Web 3.0 pode consolidar como principais características a transparência, autenticidade, navegabilidade, velocidade da informação e inovação. Estão em evidência alguns estudos e metodologias, entre as quais:

Behaviour Targeting (Segmentação Comportamental);
Reputação Digital;
Identidade Digital;
Infotopia (Como as mentes produzem conhecimento);
Web Semântica;
Web em celulares;
Marketing de influência social;
Web Móbile.

O Enterprise 2.0 combina tecnologias e práticas de negócio que liberam as equipes das limitações das ferramentas de produção e comunicação, provendo acesso à informação certa na hora certa por redes de aplicações, serviços e dispositivos. É o uso das emergentes plataformas de software social dentro das companhias ou entre companhias e seus parceiros ou clientes. Nesta variedade de ferramentas estão Wikis, Blogs, Mashups, Social Tagging, RSS, Social BookMarking, Social NetWorking.
"A Web 3.0 pretende derrubar o muro que divide o browser do desktop, provendo uma integração completa entre componentes e serviços através do sistema operacional", afirma o pesquisador Diego Cox. Outro aspecto da Web 3.0 é o uso de gráficos animados, áudio e vídeos de alta definição e em 3D, tudo dentro do browser. As ferramentas da Web 3.0 estarão disponíveis a partir de plugins, mas aos poucos as empresas desenvolvedoras integrarão todas essas funcionalidades ao próprio browser, seguido de algum tipo de padronização. Entre as conseqüências previstas estão a instabilidade crescente, a fragmentação das mídias, o consumidor no controle das marcas e novas maneiras de medir produtividade.
Busca social e intuitiva
Segundo o diretor de produtos do Yahoo! Brasil, Fábio Boucinhas, haverá ambientes em que indivíduos organizados em comunidades se comunicam para trocar experiências e gerar novos produtos e serviços interativos com a cara dos usuários que os demandam e com o consentimento das empresas que os criaram. As ferramentas de buscas passarão a "deduzir" o que o internauta deseja a partir do comportamento dele, respondendo a questões subjetivas com maior precisão. "O grande desafio é organizar o conhecimento, filtrando o que interessa e oferecendo coisas de fato úteis ao usuário", observa o executivo. Na evolução para a chamada "busca intuitiva", Boucinhas destaca a possibilidade de a Internet "interpretar" a navegação do usuário. Para o executivo, outra tendência da nova era da Internet é a presença em dispositivos portáteis com ferramentas para buscas inteligentes pelo celular e outros dispositivos portáteis.
O diretor geral da consultoria Predicta, Marcelo Marzola, acredita que a Internet se transformará em um ambiente mais humano e menos rígido, mais "inteligente" e intuitivo: "O propósito em evolução da Web é a identificação comportamental, a segmentação, fazer com que o universo online perceba melhor o que o usuário quer, compreender as atitudes de quem navega". Para ele, a Internet é um ambiente orgânico, colaborativo, que cresce de forma aparentemente desordenada.

Saiba mais:
  http://www.linhadecodigo.com.br/Artigo.aspx?id=1775
http://www.reflexoesdigitais.com.br/blog/2007/11/28/o-nascimento-da-web-30
http://www.sciencemag.org
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG77010-6014,00-
A+TERCEIRA+GERACAO+DA+WEB.html
LÉVY, Pierre. "As Tecnologias da Inteligência". Ed. 34 - 2004
LÉVY, Pierre. "A Inteligência Coletiva". Loyola - 2002

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 Revista Digital Ágora Administração - Ano II - Número 04 - 1º Trimestre de 2008
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