A
expressividade dos micro e pequenos negócios brasileiros
é demonstrativa de sua importância estratégica
para o desenvolvimento nacional. O Brasil se coloca entre os dez
primeiros países empreendedores do mundo. Dados do IBGE
(2005) indicam que 98,5% dos empreendimentos registrados regularmente
no país são desse porte, respondendo por mais de
dois terços das ocupações do setor privado.
As MPEs são cerca de 95% das empresas industriais, 99%
das comerciais e dos serviços, 55% dos postos de trabalho
urbanos com carteira assinada, 42% da massa salarial, 17% dos
fornecedores do governo, 2% das exportações e 20%
do PIB. Esses dados não incluem as informais.
Segundo
especialistas, nos últimos anos, os pequenos negócios
foram os que cresceram de maneira mais consistente, demonstrando
capacidade produtiva e agilidade. Sua taxa de sobrevivência
melhorou muito. O nível de escolaridade dos empreendedores
aumentou. No Paraná, por exemplo, pesquisa recente do Instituto
Vox Populi divulgada pelo Sebrae informa que de cada 100 pequenos
negócios abertos, 75 emplacam. Entre os fatores de sucesso
estão habilidades gerenciais, capacidade empreendedora,
boa logística operacional e flexibilidade para superar
problemas. A criatividade é decisiva para o micro e pequeno
empresário brasileiro.
Em
geral, o capital das MPEs é genuinamente nacional e próprio,
já que a concessão de crédito para esse segmento
é considerada de alto risco, situação que
restringe seu potencial de expansão. Porém este
quadro se modifica gradualmente, com algumas iniciativas - ainda
incipientes - por parte do estado e instituições
financeiras, impulsionadas pela estabilidade da economia, globalização
e terceirização, além da conscientização
realizada pelas entidades de suporte aos micro e pequenos empresários.
Maior
crescimento e mais eficiência
Saudada
por reduzir a burocracia e os impostos, a nova Lei Geral da Micro
e Pequena Empresa entrou em vigor em 2007 e criou o Supersimples,
com o objetivo de diminuir drasticamente a informalidade - estimada
em 40% do PIB pelo Banco Mundial - por meio da desoneração
tributária e da desburocratização. Seus idealizadores
apostam na formalização de até 4 milhões
de empresas e cerca de 2 milhões de novos empregos até
o primeiro aniversário do Supersimples como resultados
das melhores condições para o crescimento e a eficiência
dos negócios.
A
legislação unifica o conceito e a definição
de micro e pequena empresa para todo o território nacional.
A abertura de empresas foi simplificada. Mais 14 categorias de
serviços passaram a ser contempladas, como a área
de TI – Tecnologia da Informação. As MPEs
também ganharam mais oportunidades nas licitações
governamentais, com a possibilidade de procedimentos exclusivos
em contratos até R$ 80 mil a preços competitivos.
Em contratos divisíveis, podem ser criadas cotas de até
25% para micro e pequenos fornecedores. Estes podem ser subcontratados
por empresas de maior porte e negociar o empenho com instituições
bancárias como se fosse um título de crédito.
As
novas regras também incentivam as exportações,
com a redução da carga tributária nas receitas
de vendas para outros países. Optantes do Supersimples
podem formar consórcios para compras e vendas, aumentando
seu poder de negociação. As instituições
financeiras devem criar linhas de crédito específicas
para as empresas contempladas e as cooperativas de crédito
participantes de MPEs podem acessar os recursos do FAT –
Fundo de Amparo ao Trabalhador. Além disso, no mínimo
20% dos recursos públicos para pesquisa, desenvolvimento
e capacitação tecnológica devem ser investidos
em MPEs, com isenções tributárias.
Pró-atividade
é decisiva
Mas
nem tudo são flores nos jardins dos micro e pequenos negócios.
Muitos fatores inibem a atividade empreendedora ou a conduzem
ao insucesso, tais como o sistema tributário oneroso, burocratismo
estatal estéril, corrupção, dificuldades
de acesso ao crédito, política de juros altos e
falta de educação empreendedora no ensino formal.
O fechamento de MPEs tem forte impacto negativo na economia, eliminando
postos de trabalho e representando perdas de capitais investidos.
A causa maior de insucesso, contudo, está na incapacidade
gerencial e no despreparo por parte dos empreendedores. Deficiências
na gestão podem ser fatais para o negócio, como
confusão entre finanças da empresa e pessoais do
empreendedor, capital de giro insuficiente, capital humano mal
recrutado, pouco qualificado e/ou desmotivado, alta inadimplência,
custos fixos muito elevados e má negociação
com fornecedores.
Eis
um importante mercado de trabalho para profissionais de Administração,
cuja atuação pró-ativa pode ser decisiva
para aprimorar o planejamento, estudos de viabilidade, padrões
de qualidade, inovação, tecnologias de gestão
e atenção aos diferenciais de mercado. A mortalidade
das MPEs também pode ser inibida pela eliminação
de falhas no que se refere a gestão financeira, de custos
e de capital humano, marketing, distribuição
e parcerias, tais como arranjos produtivos, rodadas de negócios
e incubadoras. Dados da Anprotec (Associação Nacional
de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores) apontam
que 80% das empresas incubadas sobrevivem. O profissional administrador
pode atuar nas interfaces como elo em alianças entre a
incubadora e a MPE ou o empreendimento em fase de criação
do negócio. Aqui sobressai a importância da integração
entre a universidade e a empresa no que se refere a inovação
e formação de capital humano.
A
revolução tecnológica e o declínio
da economia de escala também abrem um novo mundo de possibilidades
para as MPEs, a partir da produção personalizada,
portais interativos, comércio eletrônico e outros
recursos. Como assinala o consultor e administrador Takeshy Tachizawa,
a simples existência da Internet garante que MPEs operem
com clientes, fornecedores e demais entidades do mercado como
se fossem grandes organizações, num cenário
de inovações tecnológicas com novas maneiras
de fazer negócios. As empresas modernas já estão
modificando radicalmente seus processos produtivos. A criação
coletiva via Internet, por exemplo, começa a ser usada
por companhias para conceber e desenvolver novos produtos e inovar.
A tecnologia permite contratar soluções on-line.
Esse novo modo de organizar a produção e o trabalho
torna obsoletas as organizações fechadas, hierarquizadas
e que guardam segredos. Os monopólios de conhecimento da
economia industrial estão se desintegrando enquanto os
meios de criação se abrem e se proliferam.
Nesse
contexto, ganha força a pequena empresa que se articula
com outras, unindo-se em ações coletivas e agrupamentos
econômicos (clusters). Esta união gera uma troca
salutar de informações, facilita o acesso à
qualificação, aumenta o poder de negociação
junto a fornecedores e a competitividade. É o conceito
de "coopetição" - cooperar para competir
e se destacar num mercado globalizado com produtos e serviços
diferenciados.
O
Mercosul - Mercado Comum do Sul apresenta-se como oportunidade.
Instituído em 1991 com o Tratado de Assunção
e atualmente formado pelo Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai
e Venezuela, é uma zona de integração aduaneira
na qual os países circulam seus produtos sem cobranças
alfandegárias e impostos de importação. São
membros associados a Colômbia, Equador, Peru, Chile e Bolívia.
E convidados: Guiana, Suriname e Panamá. As metas iniciais
de convergência e integração ainda carecem
de concretização. O crescimento das economias dos
países integrantes do bloco deve facilitar avanços
nas negociações.
Até
o fim do corrente ano, está prevista a eliminação
da dupla cobrança da TEC - Tarifa Externa Comum dentro
do bloco. Ela acontece quando um produto importado de fora do
bloco é posteriormente reimportado no próprio bloco,
impedindo o livre comércio. Também nesse prazo o
Mercosul deve aprovar seu código aduaneiro.
Instituto
ajuda MPEs a exportar |
O
Instituto Mercosul funciona nas dependências da ACIM
– Associação Comercial e Empresarial
de Maringá - seu sócio fundador e mantenedor
- atendendo às empresas associadas ou não
da entidade. Seu foco de trabalho é o apoio às
pequenas e médias empresas exportadoras e empresas
que queiram iniciar suas atividades no comércio internacional.
A entidade provê o suporte necessário aos empresários
que queiram atuar na área de comércio exterior
prestando uma série de serviços de busca de
negócios com empresas estrangeiras.
Por
meio de parcerias com órgãos e entidades internacionais
de promoção ao comércio exterior, fornece
informações importantes sobre mercados e empresas
de todo o mundo e organiza missões empresariais para
participar de rodadas de negócios internacionais,
encontros de negócios e feiras internacionais. |
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