Num cenário em que as tecnologias, os programas de qualidade e os produtos finais se comoditizam, o conhecimento pode ser considerado o bem mais precioso de uma corporação, além de diferencial competitivo. A captação e a apropriação deste conhecimento – que está dentro da corporação – constituem grande desafio para as modernas organizações no intuito de aumentar sua produtividade e seus lucros, formando seu capital intelectual, visto atualmente como um ativo da empresa.
Segundo o especialista José Affonso Barbosa, “os novos conceitos de capacitação emocional e de capacitação social introduzirão na empresa do futuro o ativo de diferenciação mais dramático: não bastará mais às empresas possuir quadros intelectualmente capazes. As organizações terão de ter indivíduos emocional e socialmente capazes e com a mais elevada capacitação nas suas relações interpessoais. As empresas do futuro saberão que o desenvolvimento dos valores pessoais e interpessoais como objetivo estratégico lhes trará não só uma grande sinergia em suas equipes, como também do pessoal com os acionistas e com a sociedade”.
“Quando são estabelecidas conexões entre as pessoas, o conhecimento brota naturalmente”, declara o especialista em Gestão do Conhecimento Marcelo Corrêa, enfatizando a importância da humanização das relações de trabalho. Para ele, a gestão do conhecimento implica uma mudança cultural profunda, passando da prática competitiva para a colaborativa, considerada a base da troca de conhecimentos, que também possibilita o clima de confiança e favorece a criatividade. Com esse objetivo, as organizações devem valorizar os conhecimentos tácito – proveniente das experiências de vida – e o explícito – adquirido pelas vias formais, tais como cursos, palestras, participação em congressos, etc – bem como investir em educação continuada e ferramentas tecnológicas para armazenar e disseminar o conhecimento. O reconhecimento também é um fator de sucesso decisivo.
Entre as iniciativas que vêm se desenvolvendo para aprimorar a capacitação emocional e social está a terapia empresarial. O médico psiquiatra Paulo Gaudêncio tem disseminado este conceito em programa desenvolvido pelo Sebrae. “Diálogo é saber equilibrar agressividade e afetividade”, observa, lembrando que as emoções também são combustíveis do ser humano.
Alçar a gestão de pessoas e do conhecimento ao nível estratégico foi uma das tendências mais significativas da Administração contemporânea. “Certamente, um dos grandes problemas que afetam hoje as instituições públicas é a ausência do profissional de Administração de Empresas, para dar o suporte de gestão, seja qual a for a área de atuação institucional: financeira, jurídica, educacional, cultural, social, científica etc. É esse o profissional que tem a formação mais adequada para gerenciar recursos humanos, financeiros e materiais”, afirmam Antonio Carlos Simões e Roberto da Graça Lopes, respectivamente jornalista especialista em divulgação científica e médico-veterinário pesquisador.
O administrador do Século 21 deve estar preparado para fazer escolhas difíceis constantemente, sem fórmulas prontas, optando pela alternativa certa num momento específico e sem se deixar levar por modismos. A advertência feita pelo professor Décio Zylbersztajn, da Faculdade de Economia e Administração da USP (Universidade de São Paulo), vai ao encontro da opinião do consultor Michael Porter, que recomenda: “Aperfeiçoe sua estratégia e não caia na tentação de imitar cases”.
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