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O luxo como instrumento de confronto simbólico com o outro e pura ostentação está em decadência. O novo luxo baseia-se num sentimento de singularidade e de distância em relação ao outro como expressão de prazer individual ou de uma “tribo”, alheio às formas e aos padrões convencionais. A análise do psicanalista e psiquiatra conhecedor da linguagem e de semiótica Jorge Forbes foi expressa no texto “A desinstitucionalização do luxo”, veiculado recentemente. Para ele, atualmente o luxo está mais associado à imagem singular do que a símbolos que legitimem seus portadores na hierarquia social. Assim como ocorre na moda, na política, na religião, na sexualidade e na família, o luxo está em vias de “desinstitucionalização”. “Teatro das aparências, o luxo se põe a serviço do indivíduo em sua vida íntima e em suas sensações subjetivas”, explica Forbes.
Se o conceito de luxo está passando por uma desmaterialização, conserva porém uma característica: a raridade. Para o sociólogo italiano Domenico De Masi, os cinco maiores luxos da contemporaneidade são os seguintes: tempo, autonomia, silêncio, beleza e espaço. O filósofo Gilles Lipovetsky, autor de “O Luxo Eterno”, observa que o luxo está se tornando mais democrático. Segundo ele, o luxo contemporâneo não mais consiste em consumir de maneira extravagante ou acumular bens caros e raros, mas em vivenciar experiências intensas e extraordinárias, bem como cuidar da saúde. O novo luxo não se refere à divisão social e econômica entre quem tem e quem não tem, mas se caracteriza pela fruição da vida.
Já o psicanalista Contardo Calligaris assinala que os objetos de luxo estão se tornando “meio bregas” e o estilo despojado parece ser uma marca de elegância mais certeira do que uma cuidadosa combinação de vestuário e acessórios de grife. Ele alerta que o luxo atual continua a serviço das aparências e paradoxalmente pode estar associado à avareza porque a experiência cotidiana humana está empobrecida, daí a necessidade de “vivências extraordinárias”. “Meu luxo é que vivo de verdade”, afirma.

Saiba mais:


O Luxo Eterno

Gilles Lipovetsky e Ellyette Roux
Companhia das Letras

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 Revista Digital Ágora Administração - Ano II - Número 06 -3º Trimestre de 2008
Tendência