O
painel sobre "Governança Corporativa"
reuniu dois especialistas no assunto - Ieda Patrício Novais e
Werner Bornholdt - sob a coordenação da administradora
Ana Carolina Aidar. Professora da Escola Politécnica da USP,
sócia-diretora da Trevisan Consultoria e conselheira do IGGC
- Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, Novais abordou
as capacitações necessárias para enfrentamento
da concorrência, entre as quais o aumento dos ativos intangíveis
- como capital humano -,a criação de valor por meio da
inovação e a credibilidade da administração.
"Um negócio de alta performance é aquele que cria
valor e atende às expectativas dos seus stakeholders",
declarou, enfatizando os fundamentos da governança:

fairness (senso de justiça e eqüidade);

disclosure (transparência com regras e comunicações
claras);

accountability (prestação de contas); e

compliance (legalidade).
Após
apresentar um breve histórico da governança corporativa
no Brasil, a palestrante discorreu sobre as melhores práticas
e o papel dos conselheiros nas organizações, realçando
a necessidade de validação. Destacou também o papel
da mulher economicamente ativa nos conselhos de gestão, citando
recente reportagem da revista Fortune segundo a qual a presença
feminina favorece bons resultados empresariais.
Para
o consultor empresarial Werner Bornholdt, contabilista e economista,
doutor em psicologia das organizações e recursos humanos,
especialista no assunto, "gerar lucro é o melhor processo
social do mundo". Ele resgatou a história da empresa moderna
desde o surgimento da sociedade por ações na Inglaterra
de 1862 até os escândalos que abalaram o mercado norte-americano
para demonstrar que o modelo de governança corporativa deriva
da visão estratégica da organização. O palestrante
relacionou alguns paradigmas da empresa familiar que devem ser modificados
pela governança, tais como controle acionário, laços
determinantes na sucessão, colocação de parentes
em posições estratégicas, falta de liberdade total
ou parcial para vender participações, confusão
entre despesas particulares e empresariais, repercussão de atos
e a influência das crenças familiares na organização.
"É
preciso separar o afeto das pessoas dos sócios enquanto investidores",
afirmou, comentando a criação de "family offices",
escritórios que gerenciam as fortunas familiares. O especialista
ressaltou o papel dos conselhos independentes para a boa governança
das empresas familiares: "Lidar com a tridimensionalidade dos sistemas
societário, familiar e empresarial é um campo potencialmente
carregado de emoções. A implantação da governança
é a base para o crescimento, a rentabilidade e a perpetuação
da empresa familiar", finalizou.