Engenheiro
graduado pela UTC - Universidade de Tecnologia de Compiègne (França)
e doutor em engenharia de produção industrial pela École
Centrale de Paris, Pascal Alberti afirmou a importância do perfil
criativo na competitividade pela inovação em produtos
e processos em palestra sobre "O Crescimento pela Inovação"
em mesa coordenada pelo diretor do IBQP, Júlio Félix.
Segundo Alberti, no mercado global, as empresas têm necessidade
de se adaptar ao novo ambiente não só econômico,
mas também sócio-cultural: "A evolução
tecnológica favorece o surgimento de novas áreas de atividades
e combinações complexas de tecnologias distintas",
observou o palestrante.
Alberti
abordou questões relativas ao aumento dos custos de pesquisa
e desenvolvimento, a tendência a alianças estratégicas,
o surgimento de novos países concorrentes e a evolução
do ambiente industrial marcada pela complexidade, passando pelos recursos
materiais (produção) e imateriais (conhecimento e seres
humanos). Enfatizou a importância da inteligência no interior
da empresa. "A inteligência é que faz valor, por isso
é preciso estimulá-la para inovar", declarou, explicando
que muitas vezes a inovação nasce em um cérebro
genial que está fora dos processos, não integrado ao jogo
habitual, mas cria a inovação e produz valor, ainda que
fora dos domínios da organização. Para ele, "produto
novo é aquele comprado pelo usuário", realçando
a necessidade de apropriação pelo usuário-cliente,
o que diferencia invenção e inovação. O
palestrante definiu inovação como "processo iniciado
com uma idéia nova aceita pelo cliente".
"O
processo de criação compartilhada é a nova dinâmica
da inovação: trata-se da capacidade de combinar vários
saberes para fazer surgir algo novo, numa co-ação intelectual",
explicou o palestrante. Segundo ele, a inovação pode ser
de dois tipos: incremental ou revolucionária. O primeiro constitui
um incremento em um produto já existente, enquanto o segundo
torna obsoleta a tecnologia anterior. Ele relacionou ainda a inovação
do tipo nicho - que aborda mercados inesperados - e a arquitetônica
- que modifica a relação com o cliente e a tecnologia,
requerendo uma nova percepção de uso e permitindo o nascimento
de uma nova indústria.
Modelo
de criatividade
Para
Alberti, a criatividade será o próximo processo holístico
do ser humano. É preciso vencer os seguintes fatores limitantes
e inibidores da criatividade:

predominância da tradição;

peso das autoridades e hierarquias, caracterizado pelo excesso de rigidez
e fechamento;

modismos intelectuais;

sinais de educação (excesso de cautela);

resistência pessoal à mudança para não pôr
em xeque a maneira de funcionar;

racionalidade excessiva;

imaginário mórbido (crença de que a inovação
acelera o caminho para a morte).
O
palestrante também comentou a importância da dinâmica
de grupo do tipo "toró de palpites" (brainstorming)
para deixar fluir a criatividade, formando um mapa mental que ajude
a vislumbrar o novo produto cuja formalização será
feita pelo design. Ele alertou para o fato de que os países que
mais investem em pesquisa não são obrigatoriamente os
mais inovadores e colocou como desafio a transferência da tecnologia
da pesquisa para as empresas, já que a maioria dos pesquisadores
atua fora das organizações.