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A educação no Brasil é, em síntese, uma calamidade, constatou o administrador, mestre em economia e direito internacional pela Universidade de Harvard (EUA) e consultor internacional, Georges Daniel Landau em sua exposição no painel sobre "A Educação inovadora para o desenvolvimento", coordenado pela mestre em Administração Regina Arns Rocha. Para ele, o governo brasileiro gasta muito e mal os recursos educacionais. "É um modelo herdado do período colonial, superado no primeiro mundo, com altos índices de repetência e evasão e baixos índices de concluintes em todos os níveis", criticou.
Entre os problemas da gestão educacional do país o palestrante citou a falta de um planejamento que concilie os diplomados com as necessidades de mão-de-obra, má alocação dos recursos públicos, ensino livresco, deficiências de qualidade, currículos inadequados e docentes desvalorizados. "Os resultados em inovação são pífios", afirmou, citando como exceções algumas instituições consideradas "ilhas de excelência" da educação brasileira, como o ITA, a ESALQ, o Instituto Rio Branco e a ESAF no setor público, a FGV, a Fundação Dom Cabral e o IBMEQ no setor privado. Também apontou alguns setores em que o Brasil se sobressai positivamente como o sistema eleitoral, a prevenção e o tratamento da Aids, a indústria aeronáutica civil e militar, a perfuração de petróleo, o etanol e a siderurgia. "No comércio exterior ainda prevalecem as commodities com pouco ou nenhum valor agregado", observou, lembrando que as importações estão crescendo mais do que as exportações.
Landau situou a criatividade e a inovação tecnológica na vanguarda do conhecimento e do desenvolvimento, o qual pressupõe inclusão, estabilidade democrática, sustentabilidade, um estado facilitador da iniciativa privada, empreendedorismo e qualificação profissional. Para o consultor, a educação deve ser inovadora quanto aos meios e fins, compreendendo consciência ética e civismo, empreendedorismo, fomento da competitividade, tecnologia de gestão e especialização de alto nível. "O grande setor gerador de empregos atualmente é o mercado de TI - tecnologia da informação, que gasta até 70% de seus recursos em pessoal, mas as instituições de nível superior brasileiras formam apenas a metade dos profissionais de computação necessários", disse o consultor, para quem também falta ao trabalhador brasileiro capacitação nas línguas inglesa e espanhola. Para o palestrante, "o Mercosul é hoje um queijo suíço muito furado".
O consultor analisou a política de desenvolvimento industrial anunciada pelo governo em maio deste ano e a predominância da pequena empresa na economia nacional. Apontou as áreas estratégicas para investimentos, entre as quais a saúde (produção de vacinas), tecnologia de informação e comunicação, energia nuclear, defesa, nanotecnologia, biotecnologia e a consolidação da liderança brasileira em aeronáutica, petróleo, gás natural e petroquímica, bioetanol, mineração, siderurgia, carnes, celulose e papel. "Vem aí uma nova linha de capital inovador", anunciou. Por fim, defendeu a criação de mais escolas de negócios.
O administrador Roberto Elias Canese, reitor da Universidade de Columbia do Paraguai, analisou o papel da universidade como motor da nova economia inovadora, criadora do capital intelectual formado por pesquisadores com experiência e excelência. "O capital humano é o fator determinante do potencial de inovação na sociedade da informação e do conhecimento", afirmou. O palestrante também apontou a carência de uma política industrial planificada para os países sul-americanos. Participando do painel como debatedor, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Rodrigo Rocha Loures, considerou a nova política industrial brasileira bem fundamentada e viável, necessitando para prosperar de recursos humanos apropriados. Para o empresário, a gestão tem papel central para o máximo aproveitamento dos recursos humanos, físicos e tecnológicos
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 CRA Virtual - Ano VIII - Número 92 - Junho de 2008 - Edição Especial de Cobertura XV CONAMERCO