Em
palestra sobre "Carga Tributária X Desenvolvimento",
coordenada pelo administrador Roberto Carvalho Cardoso, o advogado especialista
em direito tributário e presidente do IBPT - Instituto Brasileiro
de Planejamento Tributário, Gilberto Luiz do Amaral, criticou
com veemência a fúria tributarista do estado brasileiro,
com graves reflexos nos negócios e na saúde das empresas.
Lembrando
que o tributo tanto pode ser uma alavanca como um obstáculo ao
desenvolvimento econômico sustentável, o palestrante mostrou
dados sobre a arrecadação e as projeções
para 2008. "É o sistema tributário mais complexo
e mais caro do mundo", afirmou, demonstrando que são cobrados
pelo estado brasileiro 61 tributos com 3.200 atos normativos em vigor,
o que corresponde a 5,5 quilômetros de normas com enorme burocracia,
além do "efeito cascata". O custo médio para
a empresa brasileira é de 1,5% do faturamento, equivalente a
R$ 35 bilhões em 2007.
Segundo
o consultor, o brasileiro trabalha 148 dias por ano para pagar tributos,
que correspondem a 40,51% do rendimento bruto: "Cada vez mais o
governo chama a sociedade a pagar a conta da ineficiência, já
que o estado não presta adequadamente os serviços públicos
em contrapartida aos cidadãos-contribuintes, que ainda arcam
com despesas particulares de saúde, educação, previdência,
transporte e uso das estradas para suprir as carências do setor
público", protestou o palestrante.
Dando
seqüência à análise da perversidade do sistema
tributário nacional, Amaral afirmou que o governo retoma cerca
de 40% do que paga em bolsa-família sob a forma de tributação
dos produtos no consumo. Sem falar na corrupção, no desperdício
e na má gestão que, segundo os cálculos do IBQP,
desviaram em 2007 nada menos que R$ 270 bilhões de reais dos
cofres públicos, pesando no chamado "custo Brasil".
Tributação
sócio-ambiental
Segundo
Amaral, se por um lado o tributo é necessário para financiar
o estado em sua função de diminuir as desigualdades, por
outro lado, em excesso, trava o desenvolvimento econômico, pois
onera a produção, reduz o poder de compra do salário
e penaliza a parcela mais pobre da população, concentrando
riqueza e perpetuando a injustiça social, principalmente quando
a tributação se concentra nos salários e no consumo,
além de favorecer a informalidade.
Em
seguida, o palestrante expôs a proposta do IBQP de uma tributação
híbrida com finalidades regulatórias e arrecadatórias
- e de perfil sócio-ambiental - penalizando mais os produtos
e serviços que causam males à sociedade. O efeito cascata
deve ser eliminado de modo a impedir que o tributo seja cobrado sobre
si mesmo e sobre outros produtos. A partilha entre a União, os
estados e municípios deve ser automática, evitando a "politicagem"
na distribuição dos recursos públicos. Outra proposta
é transformar o Imposto de Renda em um tributo com perfil de
justiça social, deixando de considerar como renda o tributo já
pago ao governo. Por fim, o IBQP propõe uma tributação
efetivamente progressiva de modo que quem ganha mais pague mais.