O ensino superior brasileiro é caracterizado pela elitização, oferta muito restrita, privatização, exercício precário da função regulatória do estado, regras e normas difusas e confusas, burocracia cartorial, centralização, limitada diversificação institucional e baixa diferenciação programática. A afirmação foi feita pelo conselheiro da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação e presidente da Angrad - Associação Nacional de Cursos de Graduação em Administração, Antônio de Araújo Freitas Júnior, em café-palestra promovido pelo CRA-PR em 25 de junho sobre "Graduação em Administração".
          Na oportunidade, foi lançado o XIX Enangrad - Encontro Nacional de Cursos de Graduação em Administração, a ser realizado de 1 a 3 de outubro, em Curitiba, no Teatro Positivo, reunindo instituições de ensino, professores, diretores, coordenadores, Ministério da Educação e estudantes dos cursos de Administração.
          O palestrante - que também integra a Ebape (Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas) - apresentou dados atuais e consistentes sobre a relação entre escolaridade e renda no Brasil comparativamente a outros países desenvolvidos e emergentes. O analfabetismo no Brasil, por exemplo, é da ordem de 13% contra 9% na China, 8% no México, 0,5% na Rússia e 0% no Canadá. O palestrante também comentou os números do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) do Ministério da Educação sobre estudantes matriculados nos diversos níveis de ensino nas redes pública e privada.
          "A tendência na área é de cursos de três anos somado à educação continuada", disse, ao discorrer sobre o alto desemprego em função da falta de educação profissional. Para aumentar a qualificação de nível superior, é necessário conter a alta repetência no ensino fundamental e a imensa evasão do ensino médio. "Existe um enorme campo para a educação técnica no país", observou. Analisando o cenário mundial de massificação e internacionalização, Freitas defendeu a reconfiguração dos sistemas educacionais, realçando a importância do preparo do professor para a gestão educacional. Para o palestrante, a pós-graduação precisa crescer no mínimo 10% no Brasil, mas há carência de professores.

Os cursos de Administração no Brasil contam com mais de 699 mil matriculados