"Uma visão estratégica sobre o Paraná" foi o tema do café-palestra com o professor, economista, bacharel em Direito, mestre e PhD em Administração Pública Belmiro Valverde Jobim Castor, realizado no CRA-PR em 19 de agosto. Na oportunidade, o palestrante criticou as lideranças políticas e intelectuais por não estarem acompanhando o processo de transformação econômica do estado, o que na opinião dele entrava a consolidação no cenário nacional. "O Paraná não consegue integrar suas cadeias produtivas", exemplificou o professor, apresentando dados consistentes sobre concentração da renda e contrastes entre os poucos pólos desenvolvidos e o empobrecimento de grande parte dos municípios.
           Apresentando mapas históricos dos eixos de ocupação, frentes de expansão agrícola e do esvaziamento populacional nas regiões do estado e a concentração na capital, Castor enfatizou a importância de reverter o quadro com a retomada do desenvolvimento econômico do interior. Citou como promissora a área de biocombustíveis com os green jobs (empregos verdes), bem como os exemplos dos pólos industriais de Arapongas (mobiliário), Ampère (camisas), Marialva (flores), Cianorte (confecção) e Imbituva (malhas), entre outros. Para o consultor, o Paraná precisa de uma política desenvolvimentista diferenciada, com arranjos produtivos, crédito e financiamentos para apoiar o pequeno empresário. Ele prevê que a economia paranaense continuará sendo exportadora, motivo pelo qual necessita de uma infra-estrutura mais eficiente para escoamento da produção, citando a ineficácia das atuais redes rodoviária e ferroviária.
           Castor também defendeu a necessidade de uma ação para alterar a situação crítica e dramática do perfil educacional, a qual vem colocando o estado à margem da economia do conhecimento, citando dados do Inep segundo os quais 54% dos estudantes do ensino fundamental do estado são analfabetos funcionais. Segundo ele, os dados de permanência na escola e de segurança também são sofríveis. "A economia do conhecimento é não transacional: gera valor agregado sem capital fixo, por meio da intelecção", afirmou, analisando ainda a questão energética e as oportunidades estrategicamente interessantes que o estado deixa escapar. Para Belmiro, mão-de-obra barata não é mais diferencial competitivo e recursos naturais precisam ter valor agregado. A posição geográfica, por sua vez, só é importante se houver logística. "O Paraná está com a Síndrome de Rebecca - A Mulher Inesquecível e ficará com um belo futuro atrás de si", alertou o palestrante, em alusão ao filme do diretor de cinema Alfred Hitchcock realizado em 1940.